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Presidente da CBF Samir Xaud entrega a taça da Copa das Nações ao capitão Pito. | Foto: Jo Marcone

Em outubro de 2024, em Tashkent, o Brasil venceu a Argentina por 2 a 1 e conquistou o hexacampeonato mundial de futsal, com campanha perfeita: sete vitórias em sete jogos. Um detalhe explica boa parte dessa hegemonia: dos 14 atletas campeões, cinco nasceram em Santa Catarina — e o treinador também é catarinense.

Os campeões do mundo nascidos no estado são os goleiros Willian (Jaraguá do Sul) e Diego Roncaglio (Blumenau), o ala Dyego (Palmitos) e os pivôs Pito e Ferrão (ambos de Chapecó). Willian foi eleito o melhor goleiro do Mundial e Dyego, capitão, o melhor jogador da competição. O técnico Marquinhos Xavier nasceu em Lages e construiu a carreira em Joinville. Para ele, o atleta catarinense chega mais disciplinado taticamente, fruto do acesso precoce ao esporte nas escolas e de uma base bem estruturada.

O peso não parou no hexa. Em fevereiro de 2026, em Luque, o Brasil bateu a Argentina de novo por 2 a 1 e conquistou a 12ª Copa América, com Dyego decidindo no fim. Os dois goleiros convocados — Matheus, do JEC/Krona, e Nicolas, do Jaraguá — defendem clubes catarinenses.

A força vem da base. Segundo relatório da CBFS de março de 2026, Santa Catarina liderou o ranking de títulos nacionais em 2025 e tem 87 clubes credenciados, o segundo maior número do país, com crescimento de 24% em relação ao ano anterior. O degrau seguinte é a Liga Nacional de Futsal: em 10 das 28 primeiras edições, um clube catarinense esteve na final.

O Jaraguá virou símbolo dessa força — em dezembro de 2025, venceu o Corinthians por 3 a 0 na decisão e se tornou o primeiro hexacampeão da história da LNF. Do outro lado da rivalidade está o JEC/Krona, de Joinville; é desse clássico que saem os goleiros da Seleção. A cadeia se completa no litoral norte: depois de 20 anos, Itajaí voltou ao futsal profissional em 2025 com o Marcílio Dias, comandado por Serginho Schiochet, campeão do mundo em 1992.

Da quadra escolar às escolinhas de bairro, das ligas municipais à Série Prata e à Série Ouro do Catarinense, até a Liga Nacional e a Europa: a engrenagem catarinense é simples de descrever e difícil de replicar. E, no fim da linha, está a camisa amarela.

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