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Rodrigo Hardy Araújo encerrou a carreira nas quadras na sexta-feira (24), pelo Magnus, e deixou o futsal como um dos maiores da modalidade. A história que o transformou no Capita cabe em cinco atos.
1. Campinas e os clubes semiamadores
Nascido em Campinas, o fixo começou em clubes semiamadores do interior paulista, sem qualquer apelido para carregar. A primeira experiência de peso foi no Pulo Futsal, mas quem o colocou no mapa foi o Santa Fé: entre 2004 e 2006, marcou 83 gols em 107 jogos. Foi essa projeção que abriu a porta da ACBF, então campeã da LNF.
| Foto: Renato Zaro
2. A Serra Gaúcha e o começo da veia artilheira
Em Carlos Barbosa o jogador do interior paulista deslanchou. Vestir a camisa laranja, e tudo o que ela cobra, não foi problema: ele passou a marcar como poucos fixos na história e, numa das sete temporadas na Serra Gaúcha, chegou a 72 gols em um único ano. Saiu de lá ídolo, com Liga Nacional, Mundial, Libertadores e Taça Brasil no currículo, mais sete títulos estaduais e regionais.
3. Magnus: de coadjuvante de luxo a ídolo geracional
Em 2014 voltou ao interior paulista para um projeto ambicioso em Sorocaba. A função inicial era ser coadjuvante de luxo ao lado de Falcão. Capita foi além: quando o Brasil Kirin virou Magnus e se tornou potência mundial, era ele quem capitaneava o time. Recebeu o bastão de Falcão, virou o Torpedo Humano, deu identidade ao clube e somou mais de 20 títulos — todos os que o Magnus tinha para ganhar. Ali também se consagrou como o fixo mais artilheiro da história do futsal brasileiro, com 524 gols marcados pelo clube até a véspera do último jogo.
4. A camisa 14 da seleção
Na seleção brasileira, seguiu a linhagem de fixos históricos e criou a sua própria marca. O número 14 passou a ser dele do mesmo modo que a 12 pertence a Falcão no imaginário do futsal. Disputou três Copas do Mundo e foi campeão na primeira delas. Pela Amarelinha, fez 103 gols em 160 partidas.
5. O legado, e a escolha de parar antes dos mil
A conta final do currículo chegou a 48 títulos. Entre os principais estão uma Copa do Mundo, uma Copa América, três Ligas Nacionais, três Libertadores e quatro Mundiais de Clube. Na Liga Nacional foram 296 gols até a véspera da despedida e quatro artilharias conquistadas; no ranking histórico de goleadores da competição, só Falcão e Lenísio ficam à frente dele. Nenhum jogador marcou mais que ele no futsal brasileiro nesta temporada: 24 gols em 27 partidas. A marca dos mil ficou por perto e sem ser alcançada por decisão dele: seguir jogando significaria bater nela ainda neste ano.