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Com uma geração que entrou para a história das quadras, o Inter dominou o Brasil há três décadas. O time gaúcho conquistou a primeira edição da Liga Futsal — atual LNF — em final disputada contra o Vasco de Caxias do Sul.

A festa no ginásio Gigantinho, em Porto Alegre, representou um momento único para a torcida colorada, que sofria com a escassez de títulos nos gramados.

Em 6 de julho de 1996, o Inter do técnico Paulo César de Oliveira goleou o Vasco por 6 a 1 e fechou a sequência de três jogos que decidiu o campeonato, o chamado “playoff”. Manoel Tobias, Vandré, Odair, Waguinho, Edinho e Bella fizeram os gols colorados.

A primeira partida havia sido empate em 2 a 2, em Caxias do Sul. A segunda, vitória do Inter por 4 a 0, no Gigantinho, onde também ocorreu o terceiro jogo.

– O time tinha uma conexão coletiva intensa e unia grandes qualidades individuais que faziam a diferença nos jogos – lembra o fixo Manoel Tobias, que mais tarde seria eleito o melhor jogador de futsal do mundo, em 2000, 2001 e 2002.

Manoel Tobias em quadra pelo Inter na final da Liga Futsal contra o Vasco — Foto: Antônio Pacheco / Agência RBS

A Liga Futsal havia sido criada pela Confederação Brasileira de Futebol de Salão (CBFS) para integrar o futsal brasileiro, até então focado em torneios curtos e regionalizados. O objetivo era dar condições para profissionalização das equipes, garantindo um calendário mais extenso.

AABB (São Paulo), Arsenal (Minas Gerais), Corinthians (São Paulo), General Motors (São Paulo), Goiás (Goiás), Palmeiras (São Paulo), Minas (Minas Gerais) e Tio Sam (Rio de Janeiro) foram as outras participantes da edição de estreia.

O elenco do Inter teve três nomes que venceram o tricampeonato mundial com a seleção brasileira em 1996: além de Manoel Tobias, o goleiro Serginho e o ala Waguinho.

O ala Edinho e o pivô Ortiz (pai de Léo Ortiz, hoje zagueiro do Flamengo) vestiram a amarelinha na Copa de 1992, ao lado de Tobias e Serginho, e também tinham o título mundial no currículo. As estrelas coloradas iluminavam e assombravam os ginásios país afora.

– Foi um ano em que a Ulbra (Universidade Luterana do Brasil) fez uma parceria com o Inter. Foi fantástico. A universidade gostou tanto que, posteriormente, montou o próprio time. Tinha jogadores que já estavam no clube, outros que vieram do interior do estado e os jogadores de seleção, que a Ulbra contratou – lembra Ortiz, artilheiro da primeira Liga Futsal, com 25 gols.

Inter conquistou a primeira edição da Liga Futsal, no Gigantinho, em Porto Alegre — Foto: Antônio Pacheco / Agência RBS

Lesionado, Ortiz não pôde disputar o último jogo do playoffs, mas estava no ginásio e viu cerca de 15 mil pessoas fazerem a festa com o título nacional. O público foi registrado pelo jornal Zero Hora na época. No jogo anterior, 7,5 mil pessoas estiveram no local. Após o apito final do terceiro jogo, a torcida invadiu a quadra.

– A alegria da torcida se estendeu até a madrugada. Foguetórios e buzinaços foram ouvidos em diferentes locais de Porto Alegre – descreveu reportagem de Zero Hora.

– Houve uma conexão intensa com a torcida do Inter, principalmente a partir do playoff, onde a química e força do torcedor do Internacional foram fundamentais para a nossa conquista – afirma Manoel Tobias.

Reportagem de Zero Hora mostrou o Gigantinho lotado e a invasão de quadra na final — Foto: CDI / RBS

O título de 1996 era a primeira conquista nacional do clube desde 1992, quando o time de futebol venceu a Copa do Brasil. Nos campos, o jejum se manteve até 2006. Nas quadras, a história se construiu bem diferente. Com uma coincidência.

Em 1997, o Inter conquistou o primeiro Mundial Interclubes de Futsal. Na decisão, derrotou o Barcelona em Porto Alegre. O adversário seria o mesmo da taça mundial no gramado de Yokohama, no Japão, 19 anos depois. O time também ganhou a Taça Brasil de Futsal de 1999 e a Libertadores de 2000, além de nove títulos estaduais.

O time de futsal do Inter foi encerrado em 2004, na gestão do presidente Fernando Carvalho. A crise financeira do clube pesou para a decisão. Em 2012, houve um ensaio para a reativação, com o técnico Jarico e jogadores previamente acertados, mas patrocinadores desistiram do investimento.

O Gigantinho passa por reformas, com reinauguração prevista para o início de 2027, o que realimenta o sonho de ver o futsal de volta ao Colorado. Por enquanto, não há planejamento concreto para o retorno, que dependeria novamente de investimento externo para se tornar realidade.

A Liga Nacional de Futsal se mantém até hoje, com o modelo de franquias semelhante ao das ligas americanas. Para participar da competição, é necessário comprá-las ou se associar a elas. Em 2026, a LNF passou a ter 16 times na primeira divisão (antes, eram 24) e criou a LNF Silver, uma divisão de acesso para outras 16 equipes.

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